Miomas uterinos: como os exames de imagem auxiliam no diagnóstico
Postado em: 13/10/2026
Receber no laudo a palavra mioma costuma gerar dúvida. Na maioria das vezes, o termo descreve um nódulo benigno do músculo do útero, e muitas mulheres só descobrem que têm miomas uterinos num ultrassom feito por outro motivo, sem nenhum sintoma.
Minha atuação é no diagnóstico por imagem: realizo o exame e elaboro o laudo que vai orientar a conversa com o seu ginecologista.
Quem define se o mioma será apenas acompanhado ou tratado é o médico assistente, junto com você. O que o exame de imagem entrega é o mapa para essa decisão.
Explico aqui quais exames participam dessa investigação, o que cada um mostra e o que costumo descrever no laudo.
O que são miomas uterinos?
Miomas uterinos, também chamados de leiomiomas, são tumores benignos formados a partir do músculo do útero.
Podem ser únicos ou múltiplos, ter poucos milímetros ou vários centímetros e ocupar diferentes camadas da parede uterina.
A maioria das mulheres com mioma não tem sintomas e não precisa de nenhuma intervenção.
O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Leiomioma de Útero, do Ministério da Saúde, registra que a maioria dos casos é assintomática e que a frequência encontrada varia de 5% a 80%, a depender do método usado para procurar os miomas.
A variação mostra que o número depende muito de como se examina: quanto mais detalhado o método, mais miomas pequenos aparecem.
Quais sintomas levam à investigação por imagem?
Os miomas uterinos entram na investigação por imagem quando há sintomas ginecológicos ou quando o médico percebe um útero aumentado no exame físico.
Sangramento menstrual intenso, cólica, sensação de peso na pelve e alterações urinárias estão entre os motivos mais comuns de pedido.
- Menstruação mais volumosa ou mais longa que o habitual;
- Sangramento fora do período menstrual;
- Cólica forte ou dor pélvica;
- Sensação de peso ou pressão no pé da barriga;
- Aumento do volume abdominal;
- Vontade frequente de urinar ou intestino preso, quando o mioma comprime órgãos vizinhos;
- Dificuldade para engravidar, dependendo da localização do mioma.
Nenhum desses sinais confirma, sozinho, a presença de mioma. Várias condições ginecológicas causam sintomas parecidos, e é justamente por isso que o exame de imagem entra na investigação.
O ultrassom transvaginal é suficiente para diagnosticar miomas?
Na maioria dos casos, sim. O ultrassom transvaginal é o exame de primeira escolha para o diagnóstico de miomas uterinos, com a via abdominal associada quando o útero está muito aumentado.
Ele mostra quantos miomas existem, onde estão e qual o tamanho. A ressonância de pelve fica reservada às situações que pedem detalhamento maior.
O protocolo do Ministério da Saúde descreve a ultrassonografia transvaginal, associada à via abdominal se necessário, como padrão ouro para o diagnóstico dos miomas, com sensibilidade entre 95% e 100%. É um exame acessível, que não usa radiação e pode ser repetido no acompanhamento.
Quando o útero é muito volumoso, parte dele sai do alcance do transdutor vaginal. Nesses casos, faço também a avaliação por via abdominal no mesmo exame, para não deixar nenhum mioma sem descrição.
As indicações e o funcionamento do exame estão na página do ultrassom transvaginal.
O que eu avalio e descrevo no laudo de miomas
No laudo de miomas uterinos, descrevo o número de nódulos, o tamanho de cada um, a localização na parede do útero e a relação com a cavidade uterina.
Também registro o volume do útero, o aspecto do endométrio e dos ovários e, quando uso o Doppler, o padrão de vascularização. É essa descrição que orienta o ginecologista.
A localização é o ponto que mais pesa na decisão do médico. Um mioma pequeno que avança para dentro da cavidade do útero pode causar mais sangramento do que um mioma grande na face externa.
Para padronizar essa informação, uso a classificação da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO), que divide os miomas em tipos de 0 a 8:
| Grupo | Tipos FIGO | Onde fica | Por que a informação importa |
|---|---|---|---|
| Submucoso | 0, 1 e 2 | Projeta-se para dentro da cavidade do útero | Mais associado a sangramento e a dificuldade para engravidar |
| Intramural | 3 e 4 | Dentro da parede muscular | Pode aumentar o útero e causar cólica ou sangramento |
| Subseroso | 5, 6 e 7 | Na face externa do útero, às vezes preso por um pedículo | Pode comprimir bexiga ou intestino |
| Outros | 8 | Colo do útero ou fora do corpo uterino | Localizações menos comuns, descritas à parte |
Sempre que a paciente traz exames anteriores, comparo as medidas. Saber se um mioma cresceu, diminuiu ou ficou estável ao longo do tempo é uma das informações mais úteis para o médico que acompanha o caso.
Quando a ressonância magnética de pelve entra na investigação?
A ressonância magnética de pelve entra na investigação dos miomas uterinos quando o ultrassom não basta para responder à pergunta do médico.
É o caso de úteros com muitos miomas, úteros muito aumentados, planejamento de cirurgia ou de outros procedimentos e dúvida entre mioma e outras alterações do músculo uterino.
Segundo o protocolo do Ministério da Saúde, a ressonância auxilia na informação sobre o número de miomas, o tamanho e a localização. No laudo, a ressonância permite mapear cada nódulo com precisão, o que ajuda o cirurgião a escolher a técnica e a via de acesso.
A preparação e as indicações estão na página da ressonância magnética de pelve e no texto sobre o preparo para ressonância de pelve.
Mioma e adenomiose: por que a diferença aparece no laudo?
Mioma e adenomiose são condições diferentes do músculo do útero que podem causar sintomas parecidos, como cólica e sangramento intenso.
O mioma forma um nódulo bem delimitado; na adenomiose, o tecido semelhante ao endométrio se infiltra na parede uterina de forma mais difusa. Distinguir as duas muda a conversa sobre tratamento.
O ultrassom transvaginal costuma sugerir a diferença, e a ressonância de pelve ajuda nos casos em que as duas condições coexistem ou quando o aspecto é duvidoso. Deixo essa distinção clara no laudo sempre que ela é possível.
O exame de imagem define o tratamento do mioma?
Não. O ultrassom e a ressonância descrevem número, tamanho e localização dos miomas uterinos, mas não decidem o tratamento.
A conduta depende dos sintomas, da idade, do desejo de gravidez e da avaliação do ginecologista.
O que o laudo detalhado oferece é o mapa que dá ao médico a informação para decidir a conduta.
Muitos miomas pedem apenas acompanhamento. Outros exigem tratamento clínico ou cirúrgico.
Essa escolha não cabe ao exame de imagem, e é por isso que o laudo não traz recomendação de tratamento: ele descreve, com precisão, o que foi encontrado.
Com que frequência o mioma precisa ser reavaliado?
O intervalo de reavaliação dos miomas uterinos é definido pelo médico que acompanha o caso, conforme os sintomas e o comportamento dos nódulos.
Em miomas pequenos e sem sintomas, o controle tende a ser mais espaçado. Crescimento rápido ou sintomas novos antecipam o próximo exame.
Para quem tem dificuldade de deslocamento ou uma rotina apertada, o ultrassom pélvico e transvaginal de controle também pode ser feito em casa.
Realizo o ultrassom domiciliar em Belo Horizonte e região, com a mesma técnica e o laudo em formato digital.
Quando procurar avaliação por causa de um mioma?
Procure avaliação médica sem demora se houver sangramento que exige troca de absorvente a cada hora, saída de coágulos grandes, tontura ou fraqueza, ou dor pélvica forte e repentina.
Esses sinais podem indicar perda de sangue importante ou complicação do mioma e pedem atendimento, não apenas um exame agendado.
Fora dessas situações, a indicação é conversar com o ginecologista sempre que a menstruação mudar de padrão, a cólica atrapalhar a rotina ou houver sensação de peso na pelve.
Perguntas frequentes sobre miomas uterinos e exames de imagem
Mioma uterino pode virar câncer?
A transformação de um mioma comum em câncer é considerada rara. Existem tumores malignos do músculo do útero, os sarcomas, que são outra condição e também raros. Crescimento rápido de um nódulo, principalmente depois da menopausa, é um sinal que merece reavaliação com o seu médico.
Mioma impede de engravidar?
Nem sempre. A influência na fertilidade depende principalmente da localização. Miomas que se projetam para dentro da cavidade do útero são os mais associados à dificuldade para engravidar. A avaliação é feita pelo ginecologista ou pelo médico de reprodução humana, com base no laudo.
O mioma some sozinho?
Em geral, o mioma não desaparece espontaneamente durante a vida reprodutiva, mas costuma diminuir depois da menopausa, com a queda dos hormônios. Por isso, muitos casos sem sintomas são apenas acompanhados.
O ultrassom abdominal mostra mioma?
Pode mostrar, principalmente os maiores. O ultrassom transvaginal, porém, traz mais detalhe sobre os miomas pequenos e a relação com a cavidade do útero. Em úteros muito aumentados, as duas vias são usadas juntas.
Precisa de preparo para o ultrassom que investiga miomas?
Para o ultrassom transvaginal, o preparo é simples: bexiga vazia e nenhum jejum. Se a via abdominal também for pedida, a orientação sobre ingestão de água é dada no agendamento.
Investigação de miomas com a Dra. Flávia Mansur Starling em BH
Os miomas uterinos são frequentes e, na maioria das vezes, benignos e sem sintomas. O que muda a conduta é o detalhe: onde estão, quantos são, como se comportam ao longo do tempo.
É essa informação que procuro deixar clara em cada laudo, para que o seu ginecologista tenha em mãos o que precisa para decidir o caminho mais adequado para o seu caso.
Realizo ultrassom transvaginal e ressonância magnética de pelve em Belo Horizonte e região, e o ultrassom também em domicílio. Se recebeu um pedido de exame para investigar miomas, converse com a equipe e agende o seu exame.
Dra. Flávia Mansur Starling
CRM: 105273 MG | 210663 SP
RQE: 64901 MG | 131321 SP
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com o seu médico.
Dra. Flávia Mansur Starling
CRM: 105273 MG l 210663 SP
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