Biópsia de mama: quando é necessária e o que esperar
Postado em: 08/09/2026

Quando uma alteração na mama precisa de uma avaliação mais detalhada, é natural ter dúvidas sobre o que ela significa e quais serão os próximos passos. A biópsia de mama é uma etapa desse processo: a análise de uma pequena amostra de tecido ajuda a esclarecer a natureza do achado identificado nos exames de imagem e a definir a conduta adequada.
Entre as técnicas disponíveis está a mamotomia guiada por mamografia, indicada principalmente quando o achado é identificado na mamografia, como determinadas microcalcificações, e não é adequadamente visualizado pelo ultrassom.
Neste artigo, você vai entender quando a biópsia é necessária, o significado do BI-RADS, como a mamotomia é realizada, se causa dor e o que acontece após o resultado.
O que é mamotomia guiada por mamografia?
A mamotomia guiada por mamografia é uma biópsia percutânea da mama realizada com orientação das imagens da mamografia. Também é conhecida como biópsia assistida a vácuo.
Durante o procedimento, a mamografia permite localizar com precisão a área que precisa ser investigada. Com anestesia local, é feita uma pequena abertura na pele e um dispositivo específico é posicionado na região de interesse.
O sistema assistido a vácuo permite coletar múltiplos fragmentos de tecido sem a necessidade de retirar e reinserir o dispositivo a cada amostra. O material é então encaminhado para análise pelo médico patologista.
A técnica é especialmente útil para investigar microcalcificações e outras alterações identificadas na mamografia que não apresentam correspondência adequada no ultrassom.
Quando a biópsia de mama é indicada?
A indicação de uma biópsia de mama depende da avaliação dos exames de imagem, das características do achado e da classificação BI-RADS.
O BI-RADS é um sistema padronizado pelo American College of Radiology (ACR) para organizar os achados da mamografia, ultrassom e ressonância magnética das mamas e orientar a conduta. A versão mais recente, BI-RADS v2025, mantém essa padronização para a comunicação dos resultados e das recomendações.
De forma simplificada:
- BI-RADS 0: avaliação incompleta, com necessidade de imagens complementares ou comparação com exames anteriores;
- BI-RADS 1: exame negativo;
- BI-RADS 2: achado benigno;
- BI-RADS 3: achado provavelmente benigno, geralmente acompanhado por controle em curto intervalo;
- BI-RADS 4: achado suspeito, para o qual a biópsia deve ser considerada; nas mamografias e ultrassonografias, pode ser subdividido em 4A, 4B e 4C conforme o grau de suspeição;
- BI-RADS 5: achado altamente sugestivo de malignidade, para o qual é indicada investigação por biópsia;
- BI-RADS 6: malignidade já comprovada por biópsia.
É importante lembrar que a indicação de biópsia não significa, por si só, um diagnóstico de câncer. O objetivo do procedimento é obter tecido para análise e esclarecer a natureza da alteração.
Por que fazer a mamotomia em vez de outra biópsia?
A escolha da técnica depende principalmente de como e onde a alteração aparece nos exames de imagem.
A core biopsy, ou biópsia por agulha grossa, utiliza uma agulha específica para retirar pequenos cilindros de tecido. Pode ser realizada com orientação por ultrassom, mamografia ou ressonância magnética, de acordo com a modalidade que melhor demonstra o alvo.
Já a mamotomia guiada por mamografia pode ser indicada quando a alteração é melhor identificada pela mamografia, especialmente no caso de determinadas microcalcificações ou alterações que não apresentam correspondência adequada no ultrassom.
A técnica assistida a vácuo permite obter múltiplos fragmentos por meio de uma única introdução do dispositivo, favorecendo uma amostragem adequada da área investigada.
Não existe uma técnica universalmente melhor. A escolha deve ser individualizada de acordo com o achado, sua localização, suas características e a modalidade de imagem que melhor demonstra a alteração.
Como é feita a mamotomia guiada por mamografia?
A mamotomia guiada por mamografia é realizada, em geral, de forma ambulatorial e com anestesia local.
A mama é posicionada e comprimida para a obtenção das imagens. A partir de diferentes ângulos, o sistema calcula as coordenadas da alteração e orienta o posicionamento do dispositivo.
As principais etapas são:
- A pele é higienizada e recebe anestesia local;
- É feita uma pequena abertura na pele;
- O dispositivo é direcionado até a área a ser investigada;
- Novas imagens confirmam o posicionamento adequado;
- O sistema assistido a vácuo coleta os fragmentos de tecido;
- As amostras são encaminhadas para análise anatomopatológica;
- Quando indicado, um pequeno marcador pode ser colocado no local da biópsia;
- Uma imagem final pode confirmar o posicionamento do marcador.
Quando microcalcificações estão sendo investigadas, pode ser realizada uma radiografia dos fragmentos para confirmar se a amostra contém a área de interesse. O procedimento geralmente é realizado em menos de uma hora, mas o tempo pode variar conforme a localização e a complexidade do achado.
Mamotomia dói?
Essa é uma das dúvidas mais comuns. A mamotomia é realizada com anestesia local, que reduz o desconforto durante a coleta. É possível sentir a picada e uma breve ardência durante a aplicação do anestésico e, depois, uma sensação de pressão ou manipulação.
Após o procedimento, pode ocorrer sensibilidade, pequeno inchaço ou hematoma na mama. Esses efeitos costumam ser temporários.
A equipe responsável orientará os cuidados após a biópsia e quando retomar as atividades habituais.
Como se preparar para a mamotomia?
Antes do procedimento, informe ao médico todos os medicamentos utilizados, especialmente anticoagulantes, antiagregantes plaquetários e outros medicamentos que possam interferir na coagulação, além de alergias e condições de saúde relevantes.
Não suspenda nenhum medicamento por conta própria. Se alguma alteração no uso for necessária, ela deverá ser orientada previamente pela equipe responsável.
Também é importante levar exames anteriores das mamas, quando disponíveis. A comparação entre as imagens pode contribuir para a avaliação do achado e o planejamento da biópsia.
As orientações específicas podem variar conforme o serviço e a técnica utilizada.
O que acontece depois da biópsia?
Após a coleta, os fragmentos são encaminhados ao laboratório para análise pelo patologista. O laudo anatomopatológico pode identificar uma alteração benigna, de alto risco ou maligna, entre outras possibilidades.
O resultado não deve ser interpretado isoladamente. O radiologista avalia se o achado da patologia explica adequadamente a alteração observada nos exames de imagem.
Quando existe concordância entre imagem e patologia, o resultado pode ser suficiente para definir o acompanhamento. Já quando há discordância — por exemplo, quando um resultado benigno não explica adequadamente um achado radiológico suspeito — pode ser necessária nova investigação, que pode incluir outra biópsia ou avaliação cirúrgica.
Essa correlação entre imagem e anatomopatológico é fundamental para a segurança do diagnóstico.
O que é o marcador colocado na mama?
Durante algumas biópsias, pode ser colocado um pequeno marcador metálico no local onde o tecido foi retirado.
Ele permite identificar posteriormente a região biopsiada, facilitando o acompanhamento em exames futuros e, quando necessário, o planejamento de outros procedimentos.
O marcador permanece no local e, em geral, não causa sintomas. Os marcadores utilizados atualmente são, em sua maioria, compatíveis com a ressonância magnética.

Mamotomia guiada por mamografia é segura?
A mamotomia é um procedimento minimamente invasivo e, como qualquer procedimento que envolve a introdução de um dispositivo na mama, apresenta alguns riscos.
Os efeitos mais comuns são hematoma, sensibilidade e pequeno sangramento local. Infecções e outras complicações são menos frequentes.
Após o procedimento, procure a equipe responsável se houver sangramento persistente, aumento importante do inchaço, vermelhidão, calor local ou secreção.
Quando a mamotomia pode ser a melhor escolha?
A mamotomia guiada por mamografia é uma importante ferramenta da radiologia mamária, especialmente para alterações que são bem demonstradas pela mamografia, como determinadas microcalcificações.
A técnica deve ser escolhida de forma individualizada, considerando as características da alteração, sua localização e a modalidade de imagem que melhor demonstra o alvo.
Se você recebeu uma indicação de biópsia de mama, procure entender qual alteração foi identificada, qual é a classificação BI-RADS e por que determinada técnica foi escolhida. A informação clara ajuda a compreender o processo e a participar das decisões sobre o próprio cuidado.
Perguntas frequentes sobre biópsia de mama
Mamotomia é a mesma coisa que mamografia?
Não. A mamografia é um exame de imagem. A mamotomia é uma biópsia realizada com orientação mamográfica para coletar amostras de tecido.
Toda mulher com BI-RADS 4 precisa fazer mamotomia?
A categoria BI-RADS 4 indica um achado suspeito para o qual a biópsia deve ser considerada. Isso não significa que a mamotomia seja obrigatoriamente a técnica escolhida. A modalidade da biópsia depende das características e da forma como o achado é visualizado.
A mamotomia confirma se existe câncer?
A análise dos fragmentos pode identificar ou excluir malignidade e também diagnosticar outras alterações. O resultado deve ser interpretado em conjunto com os exames de imagem.
O procedimento deixa cicatriz?
A entrada do dispositivo é feita por uma pequena abertura na pele. Em geral, a cicatriz é discreta e pode haver hematoma temporário.
Posso voltar às atividades depois da mamotomia?
A recuperação costuma ser rápida, mas os cuidados e o momento de retomar atividades físicas devem seguir as orientações da equipe que realizou o procedimento. Em geral, recomenda-se evitar esforço físico intenso nas primeiras 24 horas.
Informação e cuidado fazem parte do diagnóstico
A biópsia de mama é uma etapa importante quando uma alteração precisa ser esclarecida. A escolha da técnica adequada e a correlação entre os exames de imagem e o resultado anatomopatológico ajudam a definir os próximos passos com mais segurança.
Se você recebeu a indicação de uma biópsia de mama ou de uma mamotomia guiada por mamografia, converse com uma especialista em imagem da mulher para compreender o achado, a técnica recomendada e o que esperar de cada etapa.
Agende sua avaliação com a radiologista Dra. Flávia Mansur Starling, especialista em imagem da mulher, e receba uma orientação individualizada para o seu caso.
Dra. Flávia Mansur Starling
CRM: 105273 MG l 210663 SP
RQE: 64901 MG l 131321 SP