Radiologia na oncologia: papel crucial no diagnóstico e monitoramento do câncer

Postado em: 22/09/2025

Radiologia na oncologia: papel crucial no diagnóstico e monitoramento do câncer

A Radiologia é uma das bases do diagnóstico oncológico moderno. Sem ela, a detecção precoce, o estadiamento preciso e o monitoramento da resposta ao tratamento seriam muito mais limitados. 

Em especialidades como a oncologia mamária e ginecológica, por exemplo, os exames de imagem são ferramentas indispensáveis para decisões clínicas assertivas, ajudando a salvar vidas e a evitar tratamentos desnecessários.

No meu dia a dia como médica radiologista especializada em imagem da mulher, atuo diretamente nesse cenário. 

Com foco em exames como mamografia, ultrassonografia, ressonância magnética e biópsias guiadas por imagem, seu trabalho contribui não apenas para o diagnóstico precoce do câncer, mas também para o acompanhamento longitudinal de pacientes em tratamento oncológico.

A seguir, explicamos com mais detalhes a relação entre radiologia e oncologia!

Detecção precoce: a radiologia como primeira aliada no combate ao câncer

A detecção precoce é um dos pilares mais eficazes no controle do câncer. 

Quando identificado em estágios iniciais, o tumor tem maior chance de cura, menores índices de complicações e tratamentos menos agressivos. 

A mamografia, por exemplo, é amplamente reconhecida como o exame padrão ouro no rastreamento do câncer de mama.

Segundo a American Cancer Society, a mamografia pode reduzir em até 40% a mortalidade por câncer de mama em mulheres entre 50 e 69 anos

A introdução da tomossíntese — uma tecnologia de mamografia tridimensional utilizada por profissionais como eu — melhora ainda mais a detecção de lesões ocultas, especialmente em mamas densas.

Além da mama, outras áreas também se beneficiam da “Radiologia“ na detecção precoce de tumores, como o ultrassom transvaginal e a ressonância de pelve, fundamentais na identificação de neoplasias de ovário, endométrio e colo uterino.

Estadiamento e planejamento terapêutico: precisão para definir condutas

Após a confirmação do diagnóstico de câncer, o próximo passo é o estadiamento, ou seja, a determinação da extensão da doença. 

A radiologia cumpre papel central nessa etapa, fornecendo imagens detalhadas que ajudam a responder perguntas cruciais: o tumor é localizado ou invasivo? Há comprometimento de linfonodos? Existem metástases?

No câncer de mama, por exemplo, a ressonância magnética mamária é altamente sensível para avaliação da extensão tumoral, presença de lesões multicêntricas e infiltração de estruturas adjacentes. 

Um estudo publicado no European Journal of Radiology destaca que a RM pode alterar o plano cirúrgico inicial em até 20% dos casos, permitindo maior preservação de tecido mamário ou indicando a necessidade de abordagem mais ampla.

No caso do câncer ginecológico, a ressonância de pelve permite avaliar com alta precisão tumores de endométrio, cérvix e ovário, além de mapear a infiltração em tecidos como paramétrio, vagina, bexiga e reto. 

Esse detalhamento é essencial para definir se a abordagem será cirúrgica, radioterápica ou combinada.

Acompanhamento durante e após o tratamento: monitorar é cuidar

Durante o tratamento oncológico, a radiologia permite avaliar a resposta às terapias

Em pacientes em quimioterapia neoadjuvante (feita antes da cirurgia), por exemplo, a mamografia, o ultrassom e a ressonância são utilizados para monitorar a redução do volume tumoral. 

Isso orienta ajustes na conduta e evita procedimentos cirúrgicos desnecessários.

Após o tratamento, o seguimento também é feito por imagem. Nódulos residuais, recidivas locais ou metástases à distância são identificadas por exames periódicos, sempre com correlação clínica. 

Em muitos casos, a imagem consegue detectar alterações antes mesmo da manifestação de sintomas.

Esses exames de acompanhamento são conduzidos com protocolos específicos que variam conforme o tipo de tumor, histórico da paciente e risco de recorrência. 

A atuação do radiologista favorece que alterações sutis sejam valorizadas e interpretadas com base em todo o histórico imagético de pacientes.

Biópsias guiadas por imagem: segurança e assertividade no diagnóstico

A confirmação histológica do câncer depende da biópsia, e a radiologia permite que ela seja feita com segurança, precisão e menor impacto físico. 

As biópsias guiadas por ultrassom ou estereotaxia — como PAAF, core biopsy e biópsia a vácuo — são minimamente invasivas, realizadas em ambiente ambulatorial e com alta acurácia.

Essas técnicas são importantes não apenas para confirmar o diagnóstico, mas também para determinar o subtipo histológico do tumor, presença de receptores hormonais e marcadores moleculares — informações essenciais para o tratamento personalizado, especialmente no câncer de mama.

A radiologia é uma aliada que faz toda a diferença para a oncologia.

Entre em contato para marcar seu horário!

Dra. Flávia Mansur Starling
CRM: 105273 MG l 210663 SP
RQE: 64901 MG l 131321 SP


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